sábado, 2 de agosto de 2008

Tapar o sol

Cobriram parte da Calle Larga, fiquei surpresa... Pensava eu que estranho era que pusessem toldos gigantes na rua, se aqui nunca chove. Esse é o segredo tapam parte da rua para que as pessoas possam estar nas esplanadas ao sol.... Que luxo ! Têm tanto sol que se dao ao luxo de se defender dele...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Only in Jerez


Como dizia um antigo anúncio há coisas que só existem em certas partes do Mundo. Jerez é um desses casos. A oportunidade de escolher entre as praias do Atlântico ou do Mediterrâneo só acontece aqui. Mas também muitas outras coisas como o espectáculo de mergulhar dentro de água e partilhar o espaço com flamingos que sobrevoam o mar. Comprar leques na rua, beber tintos de Verano e falar com pessoas que ñ conhecemos de lado nenhum. E como ñ dançar, dançar, dançar de noite porque de dia estao 40 graus e nem os professores enm nós, alunos, aguentamos. Só aqui levamos todos dois pares de sapatos uns para comçar as aulas e outros para acabar, os pés incham tanto com o calor que ninguém aguenta...

sábado, 3 de maio de 2008

Cobardes!


A semana passada estreou em Espanha o filme "Cobardes" que fala sobre o "bullying" nas escolas. A película de José Corbacho não é fácil e a todos os que sentimos alguma empatia com a vítima, nos doí um bocado a alma.Paz Padilla a famosa actriz de comédia entra no papel em tom dramático e a prestação é louvável. Mais que nada a história alerta-nos que muitas vezes as coisas não são o que parecem... Em Portugal com a toda a histeria que há em volta da violência nas escolas espoletada pelo episódio "DÁ-ME O TELEMÓVEL JÁ" este filme cairia como uma bomba !

A dureza do pragmatismo

Tive um grande desgosto. Antes de ontem os meus mini amigos vieram-me bater à porta, completamente ofegantes "tens de descer depressa, há uns gatinhos novos na rua, RÁAAAAPIDO"! Como responsável máxima da alimentação dos gatos desta rua, transferida durante a minha ausência para os pequenitos tive de aceder imediatamente ao pedido de ajuda. Três gatinhos (ainda com cordão umbilical) tinham acabado de nascer e a mãe abandonou-os. Primeiro pensei que a mãe se tivesse ausentado para comer, comportamento que me pareceu muito estranho. Ao ver os gatitos metidos numa obra consegui aceder apenas a um que não parava de miar muito alto. Numa acção de veterinária improvisada conseguimos alimentá-lo com um conta-gotas com leite retirado de uma garrafa. Como começou a ficar cheio de areia, peguei nele com a mão em concha e adormeceu na minha mão perante a excitação dos quatro olhos que esperavam que eu tivesse a solução de tudo. Com a esperança de que a mãe voltasse, pensando que apenas não o fazia porque tinha medo de tanta gente, entrei com a ajuda dos vizinhos na obra, para juntar todos os gatitos. Percebi que os outros irmãos estavam mortos. Acondicionei o pequeno dentro de uma caminha improvisada e ausentamo-nos para que a mãe o pudesse vir buscar. No parque onde estão todos os gatos, tudo parecia normal, com o "nosso gato" Ombros e o seu gang a tomarem banhos de sol . Quando voltamos o gatito estava caído no meio da estrada, voltei a pegar nele, aconchegou-se na minha mão e fiz-lhe uma espécie de cama para que pudesse meter-se dentro. Morreu passado um bocado. A mãe tinha-os deixado para trás porque sabia que não ia sobreviver. Para os pequenitos o gato está sempre a dormir, ainda que tenham a sabedoria de não voltar a perguntar por ele. Entre o pragmatismo da mãe gata e a minha impotência, fiquei anestesiada.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Balanço da Feria


Vamos a metade da Feria del Caballo e a verdade é que os meus pés já não aguentam mais os tacões, troquei-os por umas sapatilhas que não são tão glamorosas, mas é a única coisa que consigo calçar. Os 34 º , sim trinta e quatro graus de hoje deixaram-me com um escaldão nas costas (único sítio a descoberto e sim protecção 30) .Já passeei três dos meus trajes e dancei uma rumba e umas trezentas variantes de sevilhanas, (nas aulas coisas mais elaboradas). Não gosto da feria de noite há um aglomerado de raparigas de calções muito curtos, tenham ou não celulite que usam com meias cor da pele !!! Como é que alguém com uma festa para exaltar a sua etnografia, põe aquelas porcarias ? Os rapazes juntam-se em bando e empenham t-shirts tipo equipa de futebol com dizeres como "Aconselhado por 9 de cada 10 mulheres" e atrás escrevem os seus nomes a letras fluorescentes! A melhor hora é a do almoço onde o ambiente é menos de engate e muito mais tradicional. Adorava que tivéssemos uma altura do ano para vestirmos os trajes portugueses. Desfilei muitos anos em Viana vestida de noiva, mordoma e até mesmo lavradeira, mas estar uma semana assim com toda a população a aderir e estrangeiros também é de louvar. Olé la Feria !

Sorrisos gratuitos

Os espanhoís têm algo muito diferente dos portugueses, a qualquer momento começam uma conversa entre duas, três ou mais pessoas que não se conhecem de lado nenhum. Hoje conheci um palhaço na feria de Jerez! Ao saber que eu era portuguesa comoveu-se e contou-me a sua história. Vive em Portugal há mais de dez anos e tem um filho com uma portuguesa. Mas o mais interessante é que este senhor anda pelos hospitais a arrancar sorrisos de crianças internadas. O facto de alguém ter esse trabalho, dá acesso ao meu respeito imediato. Nos dias 15,16, 17 e 18 vai estar em Santa Maria da Feira a apresentar os seus projectos. Por enquanto deixo-vos o link http://www.enano-free-artist.com. Vamos apoiar gente com categoria!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tolerância

Esta manhã ainda antes de entrar na Feria del Caballo ouvi na rádio a Beyoncé a cantar a sua nova canção "Amor gitano", sendo que a pronúncia espanhola dela é proporcionalmente má à da generalidade dos espanhoís a falar em inglês, mas isso são outros quinhentos! Depois de um jogo este fim-de-semana onde o Quaresma marcou uma série de golos e de ouvir tudo aos gritos "Ciganinho do nosso coração, és o melhor!" e piropos do género tudo fazia crer que os ciganos pareciam estar na moda. Afortunadamente os ciganos aqui são uma comunidade bem integrada, os ódios dirigem-se a outros, ciganos e não ciganos. Ao ver um documentário sobre a extrema direita em Espanha percebi que há um ódio sobre tudo o que é diferente, aqui dizem haver um orgulho espanhol e um orgulho europeu! Parecem os negros que são racistas sobre os mais negros. Os ciganos espanhoís também são racistas com os ciganos romenos que vendem cravos e maços de tabaco na Feria de Jerez. Depois de uma me chatear com os cravos e de ver os dentes de ouro brilhar dentro da boca dela, sentia-me irritada e cometi um erro. Comentei que maltratadas estavam umas crianças (pensava eu que eram romenas) que estavam a vender. Mordi a língua os miúdos eram portugueses. Tive vergonha alheia... Não gostamos de ser associados com ninguém que está pior do que nós, seja esse pior em termos sociais, educativos, económicos ou até mesmo estéticos... Então pergunto-me serão os tipos de extrema-direita racistas entre eles ? E como se aplica isso ? Eu sou mais racista do que tu, logo tu és inferior? As generalizações são perigosas, quem ensina as sociedades a ser tolerantes? Onde está a máxima faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti ?