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domingo, 9 de março de 2008

O público é quem manda!


O fim do festival de flamenco foi uma vergonha... O espectáculo Maestros trazia na primeira parte El Guito e na segunda Manolo Sanlúcar (mergulhado numa depressão profunda desde que o seu filhos morreu há quatro anos). El Guito não esteve mal, fez os seus conhecidos giros cortados por soleá e os seus passos habituais por farruca (por demais vistos em Portugal no corpo de outra pessoa)... mas, também não esteve espectacular... O melhor foi mesmo a bailaora que veio com ele. Manolo Sanlúcar, com depressão ou não fez duas coisas absolutamente inadmissíveis. No início da segunda música, pára de tocar vira-se para El Poti que lhe estava a tocar cajón e diz ao microfone "ASSIM NÃO POSSO TOCAR, NÃO POSSO CONTINUAR!" . Recomeçam, quando chega ao quarto tema declama o seguinte discurso ao microfone: "Sou um homem com muitos defeitos, mas há uma virtude que quero ter, a sinceridade.Não estou bem e não quero continuar a tocar, mais um tema e acabamos". Tocaram e saiu palco fora sem sequer agradecer ao público... Desceu a cortina e acabou o Festival... O público pagou entre 25 e 13 euros para vê-lo. Não sei se vai haver reclamações ou não, mas se já se sabia de antemão não o deveriam ter programado nunca! O Teatro Villamarta deveria pedir desculpa ao público, quanto a Manolo Sanlúcar, podemos ouvi-lo mas em casa....

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Sorte


A sorte que temos e não sabemos, como diz uma grande amiga minha é uma coisa impressionante. Faz hoje uma semana que começou o festival de flamenco e em boa verdade tenho um ritmo de trabalho físico e intelectual absolutamente vertiginoso, talvez por isso não consiga saborear verdadeiramente o que estou a viver, porque estou numa espécie de anestesia...Tenho sono, tenho as pernas rebentadas e ontem tive uma caimbra no meio da rua que só me apetecia chorar. Há cerca de meia hora atrás tive um ataque de lucidez, estava a descer as escadas do teatro Villamarta depois de entrevistar a Mercedez Ruiz, que fez para as alunas uma Guajira com leque fabulosa, e encontrei Santiago Lara a tocar guitarra. Uns degraus depois e vi a Rocío Molina de fato treino a ensaiar com manton, sorriu-me e piscou-me o olho. Esta manhã conheci a Matilde Coral, (sim o mito!!!) fiquei fechada com ela numa sala a falar e ela chorou emocionada a falar de uma aluna sua, mostrou-me a sua cicatriz no joelho e contou-me que gostava da zambra da Marina Heredia, entre outras coisas. Vi o Manolete a dançar por farruca e falei com o Mario Maya. O Javier Latorre deu-me um abraço esta manhã e a Angelita Gomez chama-me preciosa. Não posso pedir muito mais coisas... Bem, podia aparecer o Antonio Carmona e eu atirava-me aos pés dele e cantávamos todas as canções dos Ketama...Tenho de ir, mais sorridente!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Comédia na Compañia !

Todos os artistas têm dias menos felizes, mas há alguns que são tão maus que se tornam cómicos...Lola Greco estreou ontem na Sala Compañia o espectáculo "Deloperaflamenco" e trouxe para dançar a sua irmã mais velha_ Carmela Greco. Os bailarinos e bailaores deveriam ser conscientes da idade a que se deviam retirar, claro que em flamenco quando falamos de um fenómeno como Angelita Gómez, ela até aos 80 ainda tem muito para dar, mas isso não se dá no caso de Carmela... Lola Greco dançou uma goyesca com castanholas, la Traviatta em clássico e um pas de deux que salvou o espectáculo com Francisco Velasco um bailarino que se vê da escola clássica, mas com uma figura espectacular. Para começar Carmela e a irmã não têm pescoço ficado sempre com a cabeça tipo grão de bico a dançar... Carmela Greco e o cantaor com o nome Tony Maya (AHAHAHAHAHA) foram os melhores, parecia que estava a assistir aos Trocadero mas em versão flamenco. Ela entrou com um leque gigante e fazia acrobacias tipo Marco Paulo, deixou cair o leque 4 vezes e o cantaor apanhava-o, estando neste número o público da primeira fila em pânico. Pior... começou a gotejar no palco... Abafei as gargalhadas com o casaco. O melhor estava por vir quando ela resolveu dançar por buleria e por alegria e enrolava as mãos tipo Saturday Night Fever rematando com pôr a cabeça para a frente e para trás como quem sai da água do mar... Quando fazia as escobillas punha a língua de fora e parecia que estava a gozar... Chorei de riso... Mas Tony fez três fabulosas : o guitarrista sentou-se na cadeira dele e ele empurrou-o, (sim, em palco!), disse ao técnico de luz que não via e fez-lhe dois oks com os braços abertos (sim, em palco!) e dançou por buleria sozinho e gritava TÁ, TÁ, TÁ, TRIM TROM, TRIM TROM YA ESTÁ!!! (AHAHAHAHAHAHAH) . Pior ele fez algumas letras como esta " La Farruca de Galicia está llorando/ se ha muerto su Farruco el que le tocaba la gaita/ Eres una mujer egoista solo quieres mi amor/ me siento como un junco bajo el água" ...Também teve a habilidade de cantar letras conhecidas e metê-las noutro cante do tipo "La simoncita tiene un simón..." por tango... Enfim, o mais bonito é que eram maus mas eram inocentes, a comédia não era propositada como a fez Pastora Galván , por isso adorei este espectáculo que me fez chorar muito, mas de riso...

PS: O suplemento d Festival dos jornais não sai na net, por isso não vos posso mostrar todos os trabalhos, prometo que os levo para verem...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Viva Jerez!

Se Jerez estivesse todo o ano como ontem vivia aqui o resto da vida... Começou o festival e a cidade recebeu 20 mil pessoas de todo o Mundo para estudar flamenco... Para vê-lo e vivê-lo na própria pele...
Para começar, ontem, na conferência de imprensa conheci a Silvia Calado, do flamenco world e acabo a falar com ela sobre Lino de Mingo!!!! Conheci entre outros a delegada da Cultura, a reitora da Universidade Internacional da Andalucia e outra série de personalidades que me convidaram todas a tomar um oloroso, tenho de inventar uma desculpa porque eu como não bebo sai do Conselho Regulador já com a cabeça a andar à roda. À noite fui ao Villamarta ver !Viva Jerez! Há muitas cenas do espectáculo que parecem roubadas cenograficamente de "Flamenco" de Carlos Saura, o vestuário feito por gente da ópera era fabuloso.... (a ver se logo consigo pôr aqui umas fotos para vocês verem) ... A Maria del Mar dançou por siguriya, zambra e buleria. A siguirya foi muito bonita, mas usual estando apenas ela vestida de negro e Antonio Malena no cenário, a zambra foi linda com piano e na buleria com 20 pessoas ela cantou e dançou tipo Lola Flores, fabulosa !!! À Mercedes Ruiz sobra-lhe técnica e teve a sorte de ter bailes alegres : cantiñas, alegrias, farrucas e buleria que provocam o aplauso fácil dada a animosidade. Angelita Gómez é uma formiga atómica com quase 70 anos por buleria mete-as a todas num bolso. O grande fracasso da noite (apenas para mim, porque o teatro adorou) foi Fernando Terremoto, eu detesto a voz dele e tem um timbre que parece que ressoa dentro da minha cabeça e me deixa capaz de vomitar, para piorar cantou uma martinete (para mim o cante dos desgraçadinhos ), entre muitas outras coisas, de cerca de dez minutos ele dava um quejío e eu tapava os ouvidos.... Acho que de uma vez por todas é necessário entender que às vezes o talento não é hereditário o pai cantava bem, mas isso não significa que o filho também... O melho cantaor foi Mateo Soleá, Antonio Malena também esteve muito bem adorei ouvi-lo ontem... O prémio presença para mim vai para Luis de la Tota e Andrés el Pescaílla por tanguillos foram espectaculares, acho que os contrato para a nossa próxima produção... Os Santis quer o Moreno, quer o Lara tocaram muito bem... Vou continuar a labuta, logo conto mais...
PS: Encontrei o Manfredi, vai fazer o curso de tiento comigo!
PS2: Vou agora entrevistar o Fernando de la Morena, por fim vou conhecê-lo :)))

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Contra as japonesas, algumas (simpáticas!)

Amanhã começa o Festival de flamenco... A cidade começa a encher-se de estrangeiros vestidos de bailaores munidos do mapita de Jerez e de ilusões. Fiquei comovida tenho saudades vossas, porque viver as coisas sem ter com quem as partilhar é diferente... Amanhã faz um ano que chegamos com o rabo quadrado e cheias de vontade para fazer o curso de buleria de Jerez (esse maldito compás que me dá cabo dos nervos). Hoje estive a falar com o Javier Latorre e com o Paco Cepero (que vida tão dura!)...
Quando cheguei à Academia estava pejada de japonesas, uma delas toda "pro" e a quem eu quis impressionar fazendo quase a ponte para trás, nas voltas quebradas. Ela disse-me em tom negativo "danças como as antigas, agora a tendência é quebrar para a frente e não para trás", acrescentando "pareces a Carmen Amaya"... Fiquei sem saber se lhe dar um beijo, eu adoro a Carmen Amaya!!! Mas para ela não se armar em parvalhona dei-lhe uma abada na "escobilla" de cantiña, isto até me sair um sapato porque hoje esqueci-me dos meus e tive de pôr uns emprestados dois números acima... Lembrei-me de duas situações, sintomáticas de que sinto a falta das minhas amigas, uma em Sevilha "Loli" quando aquela bruxa disse que eu parecia uma sevilhana antiga e outra com a "Bubba" em Madrid quando fiquei sem a sapatilha...
PS: Tenho uma dor de costas que nem me mexo...